Gente, aqui vai o áudio de "Onze esconderijos", numa versão beeeem simplezinha, mas feita com carinho pra vocês.
http://www.youtube.com/watch?v=LwqEqq6WCf0
Vocês podem conferir no Youtube (só não reparem o vídeo, é só pra não ficar em branco).
=)
segunda-feira, 31 de maio de 2010
A cena que a música evoca
Quando estudamos interpretação, uma das tantas coisas que aprendemos é a criar o ambiente emocional de cada canção. Esse ambiente emocional tem a ver com inúmeras sensações que cada música evoca... uma cor, um sabor, um cheiro, uma imagem, calor ou frio, medo, prazer... enfim, é como se construíssemos uma cena para cada canção.
Essa cena nos ajuda a entrar no clima que a música nos provoca. E resgatar a cena criada cada vez que executamos a canção nos faz interpretá-la a partir da nossa verdade.
Obviamente a nossa verdade nem sempre é a mesma que a do compositor. Aliás, é bem provável que a nossa verdade passe longe da verdade dele, por ser impregnada com a nossa subjetividade, não com a dele no momento da criação.
Falei tudo isso porque queria partilhar com vocês o ambiente emocional que a música "Onze esconderijos" tem pra mim. Se não mencionasse esse "exercício interpretativo", nada do que vou falar faria sentido.
Bem, talvez continue sem fazer (risos).
O fato é que sempre que penso na música, é como se eu me transportasse a um mundo que nunca vivenciei, a não ser por filmes e leituras. É como se não tivesse sido eu a criar o ambiente emocional da canção... mas ele tivesse se manifestado a mim, como numa avalanche de emoções construídas a partir do que o texto sugere.
Quando penso nas palavras que não deveriam ser ditas, vêm-me imediatamente atos que não deveriam ter sido praticados. Ao me deixar envolver pela letra em outros países, outras línguas, porões e diários... acabo imaginando Anne Frank ou o Pianista... ou ainda algum outro personagem qualquer do Holocausto. É como se a música fosse uma manifestação de repúdio ao que NÃO deveria ter ocorrido lá. E ao cantá-la sinto-me naquele momento histórico, naquele lugar... num porão, num sótão, sozinha no escuro, sobrevivendo a tudo aquilo e cantando meu hino de desejo ao não dito, ao não feito.
Apesar da tristeza que a cena sugere, a música de alguma forma me resgata daquele espaço-tempo, como se cumprisse seu papel de denúncia, de censura (por que não dizer?)... de salvação. Essa sensação é linda...
e me sinto LIVRE!
É essa a cena que a música evoca em mim.
E em você?
Essa cena nos ajuda a entrar no clima que a música nos provoca. E resgatar a cena criada cada vez que executamos a canção nos faz interpretá-la a partir da nossa verdade.
Obviamente a nossa verdade nem sempre é a mesma que a do compositor. Aliás, é bem provável que a nossa verdade passe longe da verdade dele, por ser impregnada com a nossa subjetividade, não com a dele no momento da criação.
Falei tudo isso porque queria partilhar com vocês o ambiente emocional que a música "Onze esconderijos" tem pra mim. Se não mencionasse esse "exercício interpretativo", nada do que vou falar faria sentido.
Bem, talvez continue sem fazer (risos).
O fato é que sempre que penso na música, é como se eu me transportasse a um mundo que nunca vivenciei, a não ser por filmes e leituras. É como se não tivesse sido eu a criar o ambiente emocional da canção... mas ele tivesse se manifestado a mim, como numa avalanche de emoções construídas a partir do que o texto sugere.
Quando penso nas palavras que não deveriam ser ditas, vêm-me imediatamente atos que não deveriam ter sido praticados. Ao me deixar envolver pela letra em outros países, outras línguas, porões e diários... acabo imaginando Anne Frank ou o Pianista... ou ainda algum outro personagem qualquer do Holocausto. É como se a música fosse uma manifestação de repúdio ao que NÃO deveria ter ocorrido lá. E ao cantá-la sinto-me naquele momento histórico, naquele lugar... num porão, num sótão, sozinha no escuro, sobrevivendo a tudo aquilo e cantando meu hino de desejo ao não dito, ao não feito.
Apesar da tristeza que a cena sugere, a música de alguma forma me resgata daquele espaço-tempo, como se cumprisse seu papel de denúncia, de censura (por que não dizer?)... de salvação. Essa sensação é linda...
e me sinto LIVRE!
É essa a cena que a música evoca em mim.
E em você?
sábado, 29 de maio de 2010
Já parou pra identificar os onze esconderijos da letra?
E então, não ficou curioso pra saber quais são os onze esconderijos?
A canção tem um nome sugestivo e não é à toa.
Observe:
Certas palavras deveriam ser guardadas
Em gavetas cadeadas
Em armários escondidos no porão
Numa pessoa que nem mesmo foi lembrada
Num diário antigo
Num perfeito e discreto alçapão
Numa língua morta (de um país distante)
Num momento da história
Que a memória um dia já ignorou
Atrás de uma porta (ou embaixo de uma ponte)
Num instante em que a sorte teve a chance
E a desperdiçou
Chata que sou e fã do jogo dos sete erros, eu diria que há um problema de ordem sintática em considerar "país distante" como sendo um dos onze esconderijos, já que ele vem antecedido por uma preposição "de", o que faz dele uma caracterização da língua morta, não um esconderijo a mais. A troca, na letra, da preposição "de" pela preposição "em" resolveria isso... mas confesso que até agora nunca tinha me atentado a essa questão e provavelmente seu compositor também não.
De qualquer forma, a canção é linda desse jeito.
Já já vocês poderão ouvir a gravação que fizemos dela, ok?
I promise!
A canção tem um nome sugestivo e não é à toa.
Observe:
Certas palavras deveriam ser guardadas
Em gavetas cadeadas
Em armários escondidos no porão
Numa pessoa que nem mesmo foi lembrada
Num diário antigo
Num perfeito e discreto alçapão
Numa língua morta (de um país distante)
Num momento da história
Que a memória um dia já ignorou
Atrás de uma porta (ou embaixo de uma ponte)
Num instante em que a sorte teve a chance
E a desperdiçou
Chata que sou e fã do jogo dos sete erros, eu diria que há um problema de ordem sintática em considerar "país distante" como sendo um dos onze esconderijos, já que ele vem antecedido por uma preposição "de", o que faz dele uma caracterização da língua morta, não um esconderijo a mais. A troca, na letra, da preposição "de" pela preposição "em" resolveria isso... mas confesso que até agora nunca tinha me atentado a essa questão e provavelmente seu compositor também não.
De qualquer forma, a canção é linda desse jeito.
Já já vocês poderão ouvir a gravação que fizemos dela, ok?
I promise!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Eu fiquei de falar...
Pois é, minha gente... eu fiquei de falar de uma música que estava surgindo, dias atrás... mas acontece que ela ainda não parou de surgir, por isso ainda não falei dela. Hahaha!
Decidimos, porém, falar de outra que surgiu há algum tempo, antes de o Vê se juntar à brincadeira (ele deixou a gente fazer isso, ele deixou!).
A música é de composição do Bruno Kohl e se chama "Onze esconderijos".
Ps: Vou contar um segredinho com o qual muitos de vocês se identificarão: tenho a MAI-OR dificuldade de pensar nessa música com esse nome. Sempre me vem a cabeça o início dela ("Certas palavras") e eu até me peguei escrevendo algo como "até o nome da canção é sugestivo", quando me dei conta de que aquele não era seu nome, mas seu verso inicial.
Hahaha. O Bruno odeia quando eu faço isso (sorry!).
Segue a letra pra que vocês saboreiem.
Os comentários eu deixo pra outro pôr do Sol.
Onze esconderijos (Bruno Kohl)
Certas palavras deveriam ser guardadas
Em gavetas cadeadas
Em armários escondidos no porão
Numa pessoa que nem mesmo foi lembrada
Num diário antigo
Num perfeito e discreto alçapão
Numa língua morta (de um país distante)
Num momento da história
Que a memória um dia já ignorou
Atrás de uma porta (ou embaixo de uma ponte)
Num instante em que a sorte teve a chance
E a desperdiçou
Decidimos, porém, falar de outra que surgiu há algum tempo, antes de o Vê se juntar à brincadeira (ele deixou a gente fazer isso, ele deixou!).
A música é de composição do Bruno Kohl e se chama "Onze esconderijos".
Ps: Vou contar um segredinho com o qual muitos de vocês se identificarão: tenho a MAI-OR dificuldade de pensar nessa música com esse nome. Sempre me vem a cabeça o início dela ("Certas palavras") e eu até me peguei escrevendo algo como "até o nome da canção é sugestivo", quando me dei conta de que aquele não era seu nome, mas seu verso inicial.
Hahaha. O Bruno odeia quando eu faço isso (sorry!).
Segue a letra pra que vocês saboreiem.
Os comentários eu deixo pra outro pôr do Sol.
Onze esconderijos (Bruno Kohl)
Certas palavras deveriam ser guardadas
Em gavetas cadeadas
Em armários escondidos no porão
Numa pessoa que nem mesmo foi lembrada
Num diário antigo
Num perfeito e discreto alçapão
Numa língua morta (de um país distante)
Num momento da história
Que a memória um dia já ignorou
Atrás de uma porta (ou embaixo de uma ponte)
Num instante em que a sorte teve a chance
E a desperdiçou
Linda, lindaaaa!
Até loguinho, então!
Até loguinho, então!
=)
terça-feira, 25 de maio de 2010
Foucaultiando...
Pensando nessa relação entre criador e criatura, no processo de criação, deparei-me com essas palavras de Foucault, discutindo a questão da autoria, o que facilmente pode ser estendido à composição:
“A marca do escritor não é mais do que a singularidade de sua ausência”.
“A marca do escritor não é mais do que a singularidade de sua ausência”.
Uuuuuhhhhhh!
I’m thinking about it!
=)
TEXTO
Oi, gente linda!
Hoje quem vai falar é o Brunão!
Seguem as reflexões da fera:
Quando o texto impera
Achei que seria interessante registrar um momento curioso dos trâmites da composição que Vê e eu compartilhamos essa semana.
Num dia apressado de terça, sentamos para passar as cordas numa canção cuja melodia foi tirada de um período de final de sonho, daqueles que você não sabe se está suficientemente acordado ou dormindo, sonhando que está acordado.
Tal melodia encaixou-se experimentalmente numa letra construída pelos caminhos virtuais a seis talentosas mãos... e veio sendo (e ainda está sendo) lapidada sob seis 6 olhares atentos (Mika ,Vê e Bruno).
Num dado instante, surge a pergunta se a harmonia sugerida (ela tem relevantes mudanças de tons) deveria ser aquela: pouco usual, que poderia causar estranhamentos a ouvidos acostumados a harmonias pouco populares.
Por um instante parei e procurei argumentos que pudessem salvar tal estrutura, que, por um alguma razão, para mim, estava claro que deveria ser aquela, mas não sabia, naquele momento, dizer por quê...
A resposta veio logo em seguida: o texto...
O texto, cujo tema (a meu ver), como a aleatoriedade ao nosso redor e a beleza das coisas inexatas, não poderia deixar de sugerir uma harmonia que, em alguns momentos, deveria quebrar padrões musicais, propondo, assim, justamente a beleza de ser surpreendido pelo estranho.
Naquele momento, essa pequena revelação me levou a entender que algumas canções têm seu foco de personalidade no texto, com o poder até de decidir como desejam ser cantadas.
P.S.: A canção chama-se In-versos e, tão logo esteja pronta, traremos para o deleite de nossos amigos.
BRUNO KOHL
É, minha gente, já dizia Tom Jobim, desafinado: "Se você insiste em classificar... meu comportamento de antiMUsical..."
Hoje quem vai falar é o Brunão!
Seguem as reflexões da fera:
Quando o texto impera
Achei que seria interessante registrar um momento curioso dos trâmites da composição que Vê e eu compartilhamos essa semana.
Num dia apressado de terça, sentamos para passar as cordas numa canção cuja melodia foi tirada de um período de final de sonho, daqueles que você não sabe se está suficientemente acordado ou dormindo, sonhando que está acordado.
Tal melodia encaixou-se experimentalmente numa letra construída pelos caminhos virtuais a seis talentosas mãos... e veio sendo (e ainda está sendo) lapidada sob seis 6 olhares atentos (Mika ,Vê e Bruno).
Num dado instante, surge a pergunta se a harmonia sugerida (ela tem relevantes mudanças de tons) deveria ser aquela: pouco usual, que poderia causar estranhamentos a ouvidos acostumados a harmonias pouco populares.
Por um instante parei e procurei argumentos que pudessem salvar tal estrutura, que, por um alguma razão, para mim, estava claro que deveria ser aquela, mas não sabia, naquele momento, dizer por quê...
A resposta veio logo em seguida: o texto...
O texto, cujo tema (a meu ver), como a aleatoriedade ao nosso redor e a beleza das coisas inexatas, não poderia deixar de sugerir uma harmonia que, em alguns momentos, deveria quebrar padrões musicais, propondo, assim, justamente a beleza de ser surpreendido pelo estranho.
Naquele momento, essa pequena revelação me levou a entender que algumas canções têm seu foco de personalidade no texto, com o poder até de decidir como desejam ser cantadas.
P.S.: A canção chama-se In-versos e, tão logo esteja pronta, traremos para o deleite de nossos amigos.
BRUNO KOHL
É, minha gente, já dizia Tom Jobim, desafinado: "Se você insiste em classificar... meu comportamento de antiMUsical..."
Até breve!
=)
domingo, 23 de maio de 2010
Quando é que a música fica pronta?
É uma pergunta curiosa, não?
No processo de composição, quando uma música fica pronta?
Bem, na minha vida inteira eu já consegui a façanha de fazer duas músicas. Simplezinhas, tadinhas, mas saíram... assim, assim.
Quando consegui encaixar a letra na melodia tive aquela sensação de trabalho concluído. No dia seguinte, porém, voltava a sensação de que tinha de mexer em mais alguma coisa... um acorde, um detalhe melódico, umas palavras...
Em resumo, creio que compor música não seja tão diferente de escrever um texto (e já aí tenho bem mais experiência).
A gente sente quando ela ganha uma estrutura de algo finalizado, mas se volta a lamber a cria, sempre vai achar que tem algo faltando.
Escrever um texto é assim. Ele nunca fica pronto. Sempre que voltarmos a ele teremos o que cortar, acrescentar, mudar.
Somos nós que precisamos decidir o momento de dizer: Chega, terminei!
Somos nós que precisamos cortar o cordão umbilical para que a cria deixe de ser parte de nós e passe a ser do mundo.
Acho que isso é o mais difícil, não?
Enquanto não está pronta, é nossa. Enquanto está inacabada, é passível de melhorias. Enquanto não concluímos, podemos alimentar em nós mesmos a ilusão de que chegaremos, quem sabe um dia, à perfeição.
Pronta, ela passa a não ser mais só minha. Ela é publicável. Visível, permitindo que outros deem a ela sua interpretação, cargas de sentido que nós nunca imaginaríamos... perdemos o total controle sobre a coisa criada. Ahhhh, isso dói!
Estará lá, exposta a todos... para ser lembrada, enaltecida, criticada ou esquecida, mas será do mundo, não mais nossa.
Quantas crias você tem aprisionadas na gaveta ou num arquivo esquecido do computador?
Quantos fantasmas escondidos, implorando pela libertação?
Quantos pontos finais em suspenso, esperando o alívio do papel?
Se a criatura cria dor, o criador a cria atura.
Liberte-a, liberte-se!
No processo de composição, quando uma música fica pronta?
Bem, na minha vida inteira eu já consegui a façanha de fazer duas músicas. Simplezinhas, tadinhas, mas saíram... assim, assim.
Quando consegui encaixar a letra na melodia tive aquela sensação de trabalho concluído. No dia seguinte, porém, voltava a sensação de que tinha de mexer em mais alguma coisa... um acorde, um detalhe melódico, umas palavras...
Em resumo, creio que compor música não seja tão diferente de escrever um texto (e já aí tenho bem mais experiência).
A gente sente quando ela ganha uma estrutura de algo finalizado, mas se volta a lamber a cria, sempre vai achar que tem algo faltando.
Escrever um texto é assim. Ele nunca fica pronto. Sempre que voltarmos a ele teremos o que cortar, acrescentar, mudar.
Somos nós que precisamos decidir o momento de dizer: Chega, terminei!
Somos nós que precisamos cortar o cordão umbilical para que a cria deixe de ser parte de nós e passe a ser do mundo.
Acho que isso é o mais difícil, não?
Enquanto não está pronta, é nossa. Enquanto está inacabada, é passível de melhorias. Enquanto não concluímos, podemos alimentar em nós mesmos a ilusão de que chegaremos, quem sabe um dia, à perfeição.
Pronta, ela passa a não ser mais só minha. Ela é publicável. Visível, permitindo que outros deem a ela sua interpretação, cargas de sentido que nós nunca imaginaríamos... perdemos o total controle sobre a coisa criada. Ahhhh, isso dói!
Estará lá, exposta a todos... para ser lembrada, enaltecida, criticada ou esquecida, mas será do mundo, não mais nossa.
Quantas crias você tem aprisionadas na gaveta ou num arquivo esquecido do computador?
Quantos fantasmas escondidos, implorando pela libertação?
Quantos pontos finais em suspenso, esperando o alívio do papel?
Se a criatura cria dor, o criador a cria atura.
Liberte-a, liberte-se!
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